domingo, 26 de agosto de 2012

Histórias de boêmios

O discipulo homenageia o mestre dos boêmios



Uma bela homenagem de Sérgio, um boêmio convicto, ao mestre dos boêmios, o mito  Nelson Gonçalves. Neste samba tributo gravado em 1975 em um compacto, Sérgio mostra todo seu talento e genialidade.

História de  boêmio ( um Abraço a Nelson Gonçalves) 

Há muito qu'eu trago
No sangue comigo
A febre de um samba
Que é meu amigo
Há muito qu'eu molho
Seus olhos enxutos
Há muito qu'eu canto
Eu só sei cantar

Já fui derrotado
Brigando num ringue
Cantor consagrado
De tango e suingue
Depois destronado
Depois, um bandido
Há muito qu'eu canto
Eu só sei cantar

Pelas madrugadas
Boêmio convicto
Bebendo traçado
Cantando sozinho
Um samba quadrado
Até o sol reclamar

Eu hoje não posso
Ficar em silêncio
Depois de reinar
Neste palco imenso
Há muito qu'eu canto
Eu não posso parar



Quem precisar de mim, me encontre, eu tô na moda


Qual músico da atualidade consegue compor uma canção tão fantástica como esta de Sérgio Sampaio?  

"Foi ela" foi lançada como  Compacto  em  1972

Foi Ela ( Sérgio Sampaio)

Depois de tudo acostumado, foi pior
Ela me viu, cuspiu de lado, na maior (na maior)
Meu travesseiro tá molhado é o meu suor
Quem precisar de mim me encontre, eu tô na moda
Não tem mais papo, choro nem vela

Foi ela quem invadiu o meu endereço
Fez um fogo no começo
Fez um drama no final

Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Ela é a fera, ela é a bela
Mudou não
Eu fui a farofa amarela, tô na mão (tô na mão)
De novo a velha culpa minha
Solidão, melancolia
O velho tédio, a mão vazia
Não tem remédio, nem me interessa

Senhora do orgulho das serpentes
Me iludiu, mostrou os dentes
Fez de mim um festival

Fora! -- Fora!
Fora! -- Fora!
Fora! -- Fora!
Eu vou uma dentro e amanhã eu dou o fora
Fora! -- Fora!
Fora! -- Fora!
Fora! -- Fora!
Fora! -- Fora!
Depois de dar uma dentro, o melhor é dar o fora

Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela -- Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela





Rockzinho antigo


Quem me contou essa foi meu amigo Alípio, do fã clube do Sérgio.  Ele conta que  "Meu pobre blues", foi um blues que Sérgio Sampaio fez para mostrar a Roberto Carlos que  não conseguia criar algo romântico para  o Roberto cantar,
então ele fez uma música onde  mostrava sua indignação por isso e pelo fato do Roberto não ser mais cantor do " rockzinho antigo".

Em 1981o Erasmo Carlos  até perguntou para Sérgio se era para ele a música, o que o Sérgio negou pois a música era mesmo para o Roberto Carlos.

Ouça aqui mais  uma das geniais obras do Sampaio, na voz  do próprio Sampaio, de Oswaldo Montenegro e Zizi Possi.

 Meu Pobre Blues (Sérgio Sampaio)

Meu amigo,
Um dia eu ouvi maravilhado
No radinho do meu vizinho
Seu "rockzinho" antigo
E foi como se alguma bomba
Houvesse explodido no ar
E todo o povo brasileiro
Nunca mais deixou de dançar
E desde aquele instante
Eu nunca mais parei de tentar
Mostrar meu blues pra você cantar

Foi inútil...
Eu juro que tentei compôr
Uma canção de amor
Mas tudo pareceu tão fútil
E agora que esses detalhes
Já estão pequenos demais
E até o nosso calhambeque
Não te reconhece mais
Eu trouxe um novo blues
Com um cheiro de uns dez anos atrás
E penso ouvir você cantar

Mesmo que as mesmas portas
Estejam fechadas
Eu pretendo entrar
Mesmo que minha mulher
Depois de me escutar
Ainda insista
Que você não vai gostar

Mesmo que o gerente
O assistente ou o inteligente
Anda não me queira acreditar
Vou fingir que tudo isso não é nada
E que ainda algum dia, em plena praça
Eu posso te encontrar

Blues tão rico
Só que já não esconde
Que o meu pobre coração
Está ficando um tanto quanto aflito
Pois deve estar pintando o tempo
Em que você começa a gravar
No seu próximo disco
Eu queria tanto ouvi-lo cantar
Eu não preciso de sucesso
Eu só queria ouvi-lo cantar
Meu pobre blues... e nada mais...

É tão simples...

Meu Pobre Blues com Sérgio Sampaio 

Esta é a gravação de "Meu pobre blues" feita por Oswaldo Montenegro, ficou muito bom.




Gravação de Zizi Possi no disco tributo "Balaio do Sampaio"


Raridades do Sampaio

Um video raro de trechos de um show do Sérgio Sampaio onde ele conta como criou a música "Que Loucura" a partir de uma conversa com seu amigo Torquato Neto.
Outra raridade, a gravação da  música "Eu sou eu, nicuri é o diabo" de 1971, com Sérgio Sampaio e Raúl Seixas, a segunda voz é a do Sérgio

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Apenas um rapaz latinoamericano sem dinheiro no bolso...



 Hoje nosso Blog dos malditos vai homenagear outro dos grandes, da mesma "safra" de Sérgio Sampaio: gênio marginal, Gênio maldito, estamos falando de Belchior, um dos mais talentosos, criativos e geniais compositores da MPB.




Belchior, nasceu no Ceará , foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou música coral e piano com Acaci Halley. Seu pai tocava flauta e saxofone e sua mãe cantava em coro de igreja. Tinha tios poetas e boêmios. Ainda criança, recebeu influência dos cantores do rádio Angela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney. Foi programador de rádio em Sobral . 

Em 1962, mudou-se para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Começou a estudar Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos, como FAgner, Ednardo entre outros, conhecidos como o Pessoal do Ceará

Em 1972 Elis Regina gravou sua composição Mucuripe (com Fagner). Atuando em escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão, gravou seu primeiro LP em 1974, na gravadora Chantecler. O segundo, Alucinação(1976), consolidou sua carreira, lançando canções de sucesso como Velha roupa colorida,Como nossos pais (depois regravadas por Elis ) e Apenas um rapaz latino-americano. Outros sucessor incluem Paralelas e Galos, noites e quintais (regravada porJair Rodrigues ). 

Em 1979 no LP Era uma Vez um Homem e Seu Tempo gravou Comentário a respeito de John (homenagem a John Lennon). Em 1983 fundou sua própria produtora e gravadora, Paraíso Discos, e em 1997 tornou-se sócio do selo Camerati. Depois de um longo tempo sem aparições públicas, Belchior participa de um shom de Tom Zé em 2009, mas mantém-se afastado da mídia. 

Recordamos Belchior com ass clássicas "A palo seco" gravada no seu LP de Estréia de 1974; " Apenas um rapaz latinoamericano"; "Pequeno perfil de um cidadão comum" ; "Alucinação" e "Fotografia 3 x 4". Clássicos inesquecíveis e eternos.

A palo seco
 
Apenas um rapaz latinoamericano

 

Pequeno perfil de um cidadão comum

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Saudade do Maluco Beleza



Hoje lembramos os 23 anos do falecimento do Maluco Beleza, Raul dos Santos Seixas, o Rauzito. Neste blog dos "malditos", que homenageia o grande Sérgio Sampaio, não poderíamos deixar de recordar aquele que foi o "descobridor" do genial Sérgio. Se Sérgio é o maldito entre os malditos, Raul é o pai de todos os malditos do Brasil. Pai do Rock brazuca, gênio inesquecível, como todos os imprescindíveis, Raul jamais morrerá, suas canções compõe a riqueza que permanece nos corações e mentes de quem o conhece. Salve Raul.

Foi nos idos dos anos 70 na cidade do Rio de Janeiro onde morava que  Sérgio foi convidado para acompanhar no violão o cantor Odibar que faria uma gravação na CBS. No dia da gravação Odibar não despertou muito interesse do produtor musical da gravadora. No entanto, o executivo  da gravadora percebeu o talento do jovem violonista. Ao pedir para mostrar composições suas, Sérgio Sampaio foi retribuído com um "volte amanhã". O funcionário da CBS  era nada menos  que Raul Seixas, o Rauzito.

Abaixo uma entrevista onde  Sérgio Sampaio fala  sobre o falecimento de Raul






Documentário: O início o fim e o meio
 

Eu também vou reclamar

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Raridades do Sampaio


Sérgio Sampaio e Raul, parceria da genialidade



Essa é uma raridade da dupla Sérgio Sampaio e Raul Seixas, segundo informação de Ronan Caixeta, esse disco do Trio Ternura lançado pela gravadora CBS e produzido pelo Raul Seixas em 1970 ou 71, traz duas músicas do Sérgio Sampaio. Sol De Quarenta Graus e a música Vê Se Dá Um Jeito Nisso, esta última em parceria com Raul Seixas. Em ambas ele assina com o pseudônimo de Sérgio Augusto.

Podemos ver a fantástica atualidade das músicas com destaque para "Vê se dá um jeito nisso", uma crítica ao modo de vida medíocre da classe média urbana que cabe muito bem para nossa época de "crescimento econômico" proporcional ao decrescimento cultural que assola o país. 

Os geniais Sampaio e Raul a frente do seu tempo e do nosso ....

Vê se dá um jeito nisso  ( Sérgio Sampaio)

Você tem amor a sociedade
Nunca esquece um compromisso
Vive poluída na cidade
Vê se dá um jeito nisso

Quem conhece o mar de ipanema
Nunca esquece o seu feitiço
Essa sua vida é um dilema
Vê se dá um jeito nisso

Se moda muda
Não muda seu modo
Eu me perco mudando você
Passo e repasso
Compasso do passo
Passando e pensando o porque

Nunca teve mais de um problema
Vive no seu paraíso
Vida não se encontra no cinema
Vê se dá um jeito nisso

O seu quadriplex é colorido
Mas você não sabe disso
Seu vocabulário é reduzido
Vê se dá um jeito nisso





Sol de quarenta Graus e Vê Se dá um Jeito nisso